terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ainda não vou rasgar minha fantasia

        Diz a lenda que Sísifo, quando Marte se alinha entre o Sol e a Terra, sofre de crise nervosa e paralisa sua performance para avisar ao mundo que a pedra está gasta. Mitólogos freudianos afirmam ser essa manifestação um típico surto de liberação de desejos infantis reprimidos. Fenomenólogos marxistas preferem chamar o ato de histeria pequeno-burguesa. Sísifo, calejado pela experiência, nem se incomoda com essas declarações.
       Mais interessado no público do que no espetáculo, Sísifo desobede a Zeus, que, sabe, só continua no cargo pelas mordomias. O semi-deus quer relembrar que o homem se faz pela ação - porque ele existe pra isso.
       Se as consequências disso têm sido pouco significativas em quantidade, na qualidade os mais atentos percebem mudanças fundamentais: a pedra está sempre nova, e Sísifo não sofre como se imaginava...
       Até que se chegue a um consenso, vale conhecer alguns dos delírios desse herói sem fãs, que brinca com a flauta de Pan, a peruca de Medusa e a flecha de Cupido, os sempre adeptos de uma boa festa.
        Que se alarguem os cintos por precaução...

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