sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O labirinto



não se chega a esse outro mundo de maneira reta,
como se fosse daqui pra li,
sem o saber.
Tem caminho; vários, mas caminho.
Então tem o labirinto.

Pelos ossos somos imortais

Tudo o que é visível deve se expandir para além de si mesmo, até penetrar no âmbito do invisível. Desse modo alcança sua verdadeira consagração e clareza, enraizando-se firmemente na ordem cósmica.

I Ching - O Caldeirão

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Meu sonho recorrente



Recorrendo agora a Barthes, fiquei imaginando que toda linguagem que não é pura, que é segunda porque vem de primeiras, guarda íntima relação com certa fala mítica. É como se na mistura de linguagens pudesse, sob certas condições, se construir um mito.
É que o real, o natural, nesse ambiente se recupera, pois o homem deixa de querer apreender o real e por ele deixa-se apreender - o que se mostra muitas vezes proveitoso porque permite a descoberta do indivíduo enquanto ser, na medida em que esse se percebe parte integrante do real, e não seu único produtor.
É o ver-se no espelho. 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um dia ele foi tudo o que havia em mim




A exatidão não é a verdade



Ainda não vou rasgar minha fantasia

        Diz a lenda que Sísifo, quando Marte se alinha entre o Sol e a Terra, sofre de crise nervosa e paralisa sua performance para avisar ao mundo que a pedra está gasta. Mitólogos freudianos afirmam ser essa manifestação um típico surto de liberação de desejos infantis reprimidos. Fenomenólogos marxistas preferem chamar o ato de histeria pequeno-burguesa. Sísifo, calejado pela experiência, nem se incomoda com essas declarações.
       Mais interessado no público do que no espetáculo, Sísifo desobede a Zeus, que, sabe, só continua no cargo pelas mordomias. O semi-deus quer relembrar que o homem se faz pela ação - porque ele existe pra isso.
       Se as consequências disso têm sido pouco significativas em quantidade, na qualidade os mais atentos percebem mudanças fundamentais: a pedra está sempre nova, e Sísifo não sofre como se imaginava...
       Até que se chegue a um consenso, vale conhecer alguns dos delírios desse herói sem fãs, que brinca com a flauta de Pan, a peruca de Medusa e a flecha de Cupido, os sempre adeptos de uma boa festa.
        Que se alarguem os cintos por precaução...